MIOCÁRDIO

MIOCÁRDIO parte do desejo de experimentar as possíveis relações entre as artes cênicas e as tecnologias. Com uma cenografia que interage com a performer e reage à sua movimentação, o solo suscita discussões em torno do diálogo virtualidade-materialidade e questiona o conceito de novidade, comumente relacionado ao que se pretende tecnológico, ao confrontá-lo com a ancestralidade. A tecnologia ressurge em MIOCÁRDIO como a reinvenção do velho e a possibilidade de gerar sensações através da magia, enquanto os campos simbólicos do feminino e do prazer dão a tônica do discurso político-afetivo abordado pelo solo.

O processo de criação do solo MIOCÁRDIO desdobra-se em uma pesquisa cuja questão central é trazer a tecnologia com um novo olhar, mais poético, e que fuja à estética high tech – comumente associada a esse tipo de trabalho – ao investir numa abordagem low tech. O interesse por gerar mágica a partir de objetos comuns como caixas e luminárias conduz fortemente tanto a pesquisa, quanto a criação, propostas por este projeto. Um dos grandes desafios que surgem nesse processo é o de promover uma [re]aproximação entre as pessoas e as tecnologias, partindo da apropriação para desmistificar o fazer tecnológico enquanto algo difícil. Busca-se ampliar os conceitos associados às diversas tecnologias de maneira a questioná-las, inclusive, enquanto as responsáveis por gerar uma virtualização das relações, porém sem a intenção de redimi-las, mas com o objetivo de transformar o olhar sobre o tecnológico em sua relação com as questões sociais e políticas que permeiam o ser humano contemporâneo.

Da apresentação do solo, derivam uma roda de conversa sobre o processo criativo de MIOCÁRDIO, bem como uma oficina que propõe trabalhar na prática a concepção, o desenho e a execução de projetos cenográficos interativos.