QUEM SOMOS

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UM PROCESSO CONTÍNUO DE (RE)CONSTRUÇÃO / por Sofia Galvão

Eu diria que a transdisciplinaridade conduz fortemente meu processo criativo. Assim, as linguagens artísticas surgem, na verdade, como ferramentas para um processo que se liberta delas na medida em que não se limita a uma ou outra, mas emerge de uma mistura das que tive acesso ou que de alguma forma fazem parte da minha experiência. Meu processo criativo passa por um lugar de vivência pessoal e foca na afetividade que flui do interior para o exterior, transbordando na relação com as pessoas, mas essencialmente centrada no eu e em como esse eu sente o mundo. As linguagens artísticas surgem como meio de expressão e vão mudando, evoluindo ou gerando necessidades de aprendizado ao longo do tempo. Expressão oral, corporal, bordado, circuitos, música, poesia, visualidade, digitalidade, analogicalidade, tecnologia… São alguns dos exemplos de ferramentas que hoje estão à disposição. Os lugares de criação mais recorrentes em meu trabalho são: ritual, ancestralidade, ritmo, feminilidade, delírios oníricos, prazeres, afetividades, estética e a desconstrução dos conceitos que envolvem ciência, tecnologia e arte.

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NA QUEDA ESTOU LIVRE / por André Moraes

É sempre bom lembrar
Que um copo vazio
Está cheio de ar.

Uma metade: sofro de uma doença grave. O descolamento do meu ser desse mundo. Me sinto perdido e por mais pedidos que eu faça pra me ancorarem nessa terra preta que se chama sociedade, me sinto em um fluxo de afastamento. É um momento de muita tristeza e dor. Dor que me faz gargalhar e sorrir intensamente. Me aproximo de mim, das minhas frustrações, fraquezas e nesse pântano busco ar. Ar plasmático. Uma lágrima escorre. É o sorriso.

Outra metade: sofro de uma doença espantosa do espírito. Meu pensamento me abandona, em todos os graus. Desde o fato simples do pensamento até o fato exterior de sua materialização em palavras. Palavras, formas de frases, direções interiores do pensamento, reações simples do espírito – estou na busca constante de meu ser intelectual. Quando então posso apanhar uma forma, quão imperfeita ela seja, eu a fixo com medo de perder todo o pensamento. Estou abaixo de mim mesmo (Antonin Artaud, Oeuvres complètes, Tome I V, p. 24).

E nessa completude alguns sentimentos vagantes entre arte, arquitetura, desenho, imagem, costura livre, paisagens imersivas, natureza, semiótica, cartografias afetivas, colagem, design, marcenaria criativa, processos criativos…

Um pisar no chão
Na terra
Amortecido pelas folhas
A morte servindo a vida
Textura amante
Andar seguro
Presente de árvores
Acumulados
Todos para mim
Para minha missão
Ressignificar-me diariamente
Reconhecer-me enquanto camaleão
Disfarce pra que?
Posso ser eu
E podes ser tu
– Por que fugimos para ser outro?
Outro
O outro
Estar satisfeito
Mesmo querendo mais
E sendo mais é o que sou
Camadas de um eu que me lembro
– Eita!!! Passou. Já sou outro
O outro eu.
Que é o mesmo.
Folha é minha natureza
E cair para alimentar os próximos é uma dádiva.
Cairei…
Em queda livre…




Na queda estou livre.